COM JUROS DE 432% NO ROTATIVO, CONSUMIDOR RESGATA O CREDIÁRIO PARA FUGIR DA BOLA DE NEVE

O rotativo do cartão de crédito chegou a 432,1% ao ano em abril de 2026, segundo dados do Banco CentralC – uma das modalidades mais caras do país. O dado revela um cenário de pressão sobre o orçamento das famílias.

De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 80,9% das famílias brasileiras acumulavam algum tipo de dívida em abril deste ano – o maior percentual da série histórica. O cartão de crédito aparece como a principal modalidade entre os endividados.

No varejo, o movimento também exemplifica uma mudança na rota de consumo: levantamento da Top One Financeira aponta crescimento de 11,6% nas operações via crediário nos cinco primeiros meses de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, com ticket médio de R$ 1.543. 

A mecânica do rotativo explica o risco. Quando o cliente não consegue pagar o valor integral da fatura em 30 dias e opta pelo pagamento mínimo, o saldo devedor restante é automaticamente financiado pela taxa que supera os 400% ao ano. Na prática, uma fatura não paga pode ter seu valor quadruplicado em apenas 12 meses.

A SOLUÇÃO

Diante do limite comprometido no cartão e do encarecimento do crédito bancário tradicional — a taxa média no crédito livre às famílias bateu 63% ao ano em abril, segundo o Banco Central e o parcelamento via boleto no ponto de venda voltou a ganhar tração. Diferentemente do cartão de crédito, o crediário opera sob uma lógica de financiamento fechado.

A taxa de juros é prefixada no momento da compra e as parcelas não sofrem alterações ao longo do contrato, o que isola o consumidor da volatilidade do rotativo. Dados da Top One Financeira, empresa especializada na concessão de crédito em mais de três mil pontos de venda físicos no país, nos cinco primeiros meses de 2026, as operações via crediário registraram um salto de 11,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

O tíquete médio financiado nessas operações foi de R$ 1.543, indicando o uso da modalidade para a aquisição de bens duráveis diversos, como eletrodomésticos e eletrônicos. “O cartão de crédito virou uma armadilha para quem não consegue zerar a fatura. O consumidor entra no rotativo sem perceber e os juros dobram a dívida em poucos meses”, avaliou Vanderley Cardoso de Moraes, CEO da Top One Financeira.

Para o executivo, o avanço do parcelamento via boleto também reflete uma postura defensiva do comprador. “O crediário permite que a compra seja feita com uma parcela previsível, dentro da capacidade real de pagamento e sem o risco dos juros compostos do cartão. O que vemos em 2026 é uma redefinição da porta de entrada do crédito no varejo físico.”

O especialista da Top One orienta ainda que o uso do cartão de crédito seja voltado apenas para compras que cabem no orçamento do mês. O parcelamento sem juros no cartão só é vantajoso, desde que o pagamento integral da fatura seja garantido. Se houver risco de pagar apenas o mínimo, o cartão deve ser evitado.

TOP ONE

Fundada em 2018, com sede em Curitiba, a Top One atua em mais de 3 mil pontos de venda no país e já analisou mais de R$ 3 bilhões em solicitações de crédito. A empresa é especializada na concessão de crédito por meio de crediário e empréstimo pessoal.

A Top One desenvolve modelos próprios de análise de risco e utiliza alta tecnologia para apoiar a concessão de crédito, atuando de forma integrada ao varejo físico. Suas soluções permitem o parcelamento por boleto, que amplia o acesso ao financiamento fora do sistema tradicional de cartões.

Foto – Divulgação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *