Políticos evangélicos, bolsonaristas e até de esquerda criticaram a declaração do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o aborto. Na última terça-feira (05), o petista afirmou durante evento da Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, que, “mulheres pobres morrem tentando fazer aborto, porque o aborto é proibido, é ilegal.
E, prosseguiu: “Enquanto isso, a madame pode ir fazer um aborto em Paris, escolher ir para Berlim. Na verdade, deveria ser transformado em uma questão de saúde pública e todo mundo ter direito e não vergonha”.
Aliados de Lula disseram reservadamente ao Poder360 que esse tipo de declaração leva o debate político para o campo dos costumes, mais confortável para o bolsonarismo, enquanto a tática mais acertada seria focar o discurso em problemas econômicos e sociais.
O deputado Padre João (PT-MG), contrário ao aborto, disse que o Ex-presidente “não foi feliz” porque a declaração é mais ampla do que só defender uma política pública sobre o assunto.
“É levantar a bola para um moralismo hipócrita que quer uma oportunidade dessas para tentar colocar em xeque um projeto de vida defendido pelo PT. Um grande projeto que vai muito além dos 9 meses de gestação”, declarou.
REAÇÕES
A reação de líderes evangélicos às declarações de Lula dificulta a reaproximação do petista com esse grupo religioso. Em 2018, o segmento deu apoio massivo a Jair Bolsonaro (PL) na eleição presidencial. Embora seja comum políticos de esquerda defenderem mudanças na legislação sobre o aborto, é raro que o façam publicamente, principalmente por medo da reação do eleitorado conservador.
A declaração de Lula já é usada como munição por nomes ligados aos evangélicos e bolsonaristas. Nesta quarta-feira (06), o pastor Silas Malafaia, apoiador de Bolsonaro, publicou um vídeo, o de qual critica o Ex-presidente. O líder religioso classificou as declarações do petista como “discurso imbecil e idiota”.
Além de Malafaia, políticos como o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder da bancada evangélica na Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (MDB), ex-presidente da Câmara e evangélico e Damares Alves também criticaram a fala do petista.
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