GOVERNO FEDERAL DEVE ENVIAR AINDA NESTA SEMANA AO CONGRESSO, PL DO NOVO TETO DO MEI

Governo federal finaliza as negociações para enviar ao Congresso Nacional nesta semana, um Projeto de Lei – PL que reajusta o teto de faturamento anual do MEI – Microempreendedor Individual. A proposta da equipe econômica é elevar o limite atual de R$ 81 mil para uma faixa entre R$ 130 mil e R$ 140 mil, com implementação escalonada até 2028, além de permissão para contratar até 2 funcionários. 

O MEI foi criado em 2008 como uma política pública de formalização. O regime permite que trabalhadores autônomos tenham um registro de CNPJ, emitam notas fiscais e assegurem direitos previdenciários, como: aposentadoria, auxílio-doença e licença-maternidade. 

A contrapartida é o pagamento de uma guia mensal unificada de tributos com valores reduzidos. Trata-se da porta de entrada para o ecossistema de micro e pequenas empresas no Brasil. Para estar nesse regime, o empreendedor precisa respeitar limites rígidos de faturamento e de estrutura.

Caso extrapole as regras, o microempreendedor é automaticamente desenquadrado e empurrado para o Simples Nacional, outro regime tributário facilitado que unifica oito impostos federais, estaduais e municipais em uma única arrecadação, mas com alíquotas progressivas e consideravelmente maiores do que as taxas fixas cobradas do MEI.

COMO É E COMO PODE FICAR

Atualmente, o limite de faturamento anual para se manter como MEI é de R$ 81.000. Na estrutura de pessoal, a legislação em vigor autoriza o empreendedor a contratar apenas 1 funcionário remunerado com um salário mínimo ou o piso da categoria. 

Esse teto congelado há anos atua, na prática, como uma barreira ao crescimento dos negócios, forçando muitos autônomos a camuflarem suas receitas para evitar a migração para o Simples Nacional ou a demitirem trabalhadores para não descumprirem a lei. No entanto, qualquer reajuste no teto do MEI implica renúncia fiscal.

Isso aumenta a pressão sobre os demais pagadores de impostos. A proposta articulada pelo ministro do Planejamento, Bruno Moretti, deve elevar o teto para algo entre R$ 130 mil e R$ 140 mil anuais. A mudança seria feita de forma escalonada ao longo de 2027 e 2028 para suavizar a. a transição econômica. Além do faturamento, o projeto do Executivo estabelece a permissão para a contratação de até dois funcionários por MEI.

AMEAÇA DE “PAUTA-BOMBA”

Também tramita na Câmara o Projeto de Lei Complementar -PLC,108 de 2021, que trata do mesmo tema, mas inclui, além do MEI , a atualização de todas as faixas do Simples Nacional.  O projeto propõem elevar o teto das microempresas de R$ 360 mil para R$ 869 mil.

E, o das empresas de pequeno porte de R$ 4,8 milhões para R$ 8,69 milhões. O governo é contra estender a correção para todas as faixas do Simples Nacional, e classifica a medida como uma “pauta-bomba” com impacto de R$ 50 bilhões por ano.

Foto – Divulgação.

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