JORNALISTA ADALBERTO RIBEIRO: “SE EU FOSSE O PAPA, EXCOMUNGAVA O CAPITÃO E O BODE ROUCO”

Se o bicho-grilo Adalbertovsky fosse o Papa, ele mandaria excomungar os hereges da seita do gado, da seita vermelha e outras “trepeças” que atormentam as nossas vidas.

No sermão de hoje, ele conta que o capitão cometeu a desfeita de ameaçar anular os decretos de luto em homenagem aos santos nordestinos, Padim Ciço, Dom Helder e Frei Damião.

“Com sua proverbial ignorância, o capitão de fandango referiu-se ao Padre Cícero como tendo nascido “no Pernambuco”. Oh cabra ignorante!

“Com exceção de Dom Helder Câmara, Frei Damião e o Padre Cícero eram comunistas ortodoxos. “Os comunistas, as raparigas e as mulheres de minissaia vão para o inferno”, assim dizia Frei Damião, o corcunda das missões religiosas.

O Padre Cícero pregava para os romeiros: “O comunismo foi fundado pelo Demônio. Lúcifer é o seu nome e a disseminação de sua doutrina é a guerra do diabo contra Deus. É a continuação da guerra dos anjos maus contra o Criador e seus filhos”.

“Em matéria de devoção, o capitão de bravatas está mais próximo de Frei Damião de Bozzano. O padre Cícero virou lenda e morreu de morte morrida aos 90 anos, em 1934, cercado pela devoção dos romeiros e pelo carinho das beatas”.

O lendário cangaceiro Lampião, devoto do Padim Ciço, morreu de morte matada em 1938, cercado pela paixão de Maria Bonita e os rifles das volantes policiais. São capítulos da epopeia nordestina”.

“A memória do arcebispo Dom Helder Câmara também esteve na mira dos decretos insanos do capitão de bravata. O magistral Nelson Rodrigues, que se auto intitulava reacionário e “flor da obsessão”, chamava o pequeno grande homem de “arcebispo vermelho”. A bandeira vermelha combatia a ditadura e defendia a liberdade. Dom Hélder hoje reina acima das misérias humanas”.

“Além dos horizontes da condição humana de pecadores, Dom Helder, Frei Damião e o Padim Ciço hoje são abençoados e venerados, assim na terra como no céu”. O sermão do bicho-grilo Adalbertovsky está postado no Menu Opinião.

Por: Adalberto Ribeiro – Jornalista

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