Por Antonio Magalhães*
O Dia do Amigo, na terça-feira passada, encheu as redes sociais de notas de apreço às amizades. Em boa hora. Num momento tão confuso dentro e fora do país. Viu-se alguns exemplos, fora dos comunicados na Internet, que revelam ainda vale ter um amigo na praça, como recomendava o velho Banorte.
Destaco o caso de uma família argentina que, para fugir da crise econômica do seu país, meteu o pé na estrada por uma rota maluca, por conta das restrições de saída da Argentina, passando pela Bolívia, Paraguai para chegar ao Brasil e encaminhar-se a São Paulo. Na capital paulista foi recebida por um casal de argentinos que vem abrigando os refugiados desta crise portenha até que eles consigam se estabelecer.
E quem veio não é fichinha, mas de uma classe média profundamente empobrecida pelo socialismo peronista que deixou a família sem opção. A pandemia da Covid agravou o caos econômico já em curso na Argentina desde 2018, quando assumiram o poder Alberto Fernandez, aprendiz de Lula, a quem visitou na cadeia, e a corrupta de carteirinha a ex-presidente Cristina Kirchner, com inúmeros processos na Justiça, que foi eleita vice-presidente para manipular seu poste.
O país vizinho enfrenta uma recessão profunda, com queda nas exportações, aumento de impostos, controle rígido do capital, moeda fraca e uma inflação anual de mais de 50%. De repente, esta família que veio asilar-se por aqui, como outras que vieram antes e outras que estão por vir, perceberam que o Brasil era a melhor opção para mudar de vida. Esses “viajeros” veem hoje a Argentina no caminho da Venezuela e Cuba. E não só pela ideologia governamental, mas também pelo fracasso econômico.
Argentina e Brasil têm destinos oscilantes e semelhantes. Quando um país está bem, o outro vai mal e vice-versa. Os argentinos já foram ricos comprando casas no litoral do sul quando na era Menem, ex-presidente, o peso equivalia ao dólar, enquanto passávamos dificuldades. Quando a moeda portenha despencou, o sonho acabou. Agora estamos, mesmo com pandemia, numa situação mais promissora do que o vizinho e o fluxo se inverteu. E pior para eles que não são mais turistas, mas refugiados da crise.
O socialismo argentino conseguiu extinguir parte da esperança dos nossos vizinhos. Mas uma parcela grande da população ainda espera poder reverter esse desastre pelo caminho democrático. Uma novidade numa terra de sangue quente, onde aconteceram violentos golpes de Estado, e já foi governada por incompetentes e corruptos. Triste latinoamérica.
Um dos que apostam na reversão do mal pela via democrática é um velho amigo de Buenos Aires, o ator Manolo Goicochea ou Tito, conhecido meu há quase 50 anos quando nós, jovens mochileiros, viajávamos pela América Latina com a ânsia do conhecimento das coisas deste imenso continente. Por conta da amizade, Tito me atualiza frequentemente do que se passa por lá, antes por carta hoje pelo whatsapp, sobre o dia-a-dia da sua família, dos amigos e dos portenhos em geral.
No Dia do Amigo, ele me passou pelo whatsapp a seguinte mensagem: “Mi Argentina es un país en decadencia, gobernado por corruptos, mentirosos, mediocres, amorales, incapaces, autoritarios, que atraviesan la mayoria de los estratos del poder. Pero es solo la instantánea de mi patria aquí y ahora.
“Sé que nuestro destino es otro.
“No van a poder…!!! No lo vamos permitir!!! Merecemos algo mucho mejor!!
“La sociedad parece anestesiada, sin reacción, pero solo está replegada esperando las elecciones para desalojarlos democráticamente.
“Y así será…!!!”
Com certeza os argentinos vão sair desta enrascada engendrada pela esquerda. Em 14 de novembro deste ano haverá eleições para renovação de 127 dos 257 deputados da Câmara Baixa e de 24 dos 72 senadores. Caso perca a maioria no parlamento, a dupla Fernandez e Kirchner ficará ainda mais enfraquecida até 2023 e ofuscada pelo sol da bandeira argentina. Como diz o povo cubano nesta fase libertária “Pátria y Vida”. É isso.
Antonio Magalhães – Jornalista




