PROCURADOR DA REPÚBLICA, PEDRO JORGE MORTO EM 1982, EM OLINDA INGRESSA NO LIVRO DOS HERÓIS E HERIOÍNAS DA PÁTRIA

“Nossos heróis são hoje pessoas comuns, que souberam viver como poucos as virtudes do bem e do interesse coletivo”. Com essas palavras, o vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand celebrou a trajetória do procurador da República Pedro Jorge de Melo e Silva, que teve seu nome inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, em solenidade realizada na última terça-feira (30), em Brasília.

O procurador da República foi morto a tiros em 1982 em Olinda, Região Metropolitana do Recife, depois de denunciar os responsáveis pelo “Escândalo da Mandioca” – um esquema de corrupção e de desvio de dinheiro público. A cerimônia de homenagem teve a participação do presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, do vice-procurador-geral da República, de membros do Ministério Público Federal e de familiares do homenageado.

Ao relembrar a vida e o trabalho do procurador, o vice- PGR destacou que a atuação de Pedro Jorge como membro do MPF sempre foi marcada pela humildade e pelo afinco no combate à corrupção e aos crimes financeiros.

Para Chateaubriand, a morte do procurador e de tantos outros deve servir de lição e de lembrete para a importância de se enfrentar o crime organizado e a corrupção de forma estruturada, por meio da coordenação dos órgãos responsáveis, num trabalho técnico, discreto, coerente e regido pelos compromissos constitucionais.

“É fundamental a adequada estruturação dos órgãos que compõem os sistemas de segurança e justiça, de inteligência e de rastreamento de ativos, mas nada disso funciona sem coordenação, cooperação interna e externa e comunhão de esforços”, afirmou.

De acordo com Geraldo Alckmin, que representou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a inscrição do nome de Pedro Jorge no livro é uma justíssima homenagem a um homem de coragem. “É também um reconhecimento ao Ministério Público Federal, zeloso do cumprimento da lei e da defesa do interesse público. Que essa homenagem seja uma luz a orientar as novas gerações, para que nós possamos avançar e melhorar”, afirmou.

Roberta Viegas e Silva, filha do homenageado, relembrou a perda, a luta por Justiça e por reconhecimento para o legado do pai. “A história do meu pai marcou a nossa história, a história de Olinda, de Pernambuco, do Ministério Público e a história do Brasil”, disse.

Já a senadora Teresa Leitão, autora do Projeto de Lei que resultou na homenagem, destacou que o livro de heróis e heroínas da pátria busca lembrar quem ofereceu a vida para modificar a realidade e melhorar o padrão civilizatório, o respeito aos direitos humanos e o cumprimento da lei. “Sinto que hoje estamos fazendo um pouco de Justiça a essa trajetória tão exemplar”, afirmou.

O processo de reconhecimento de Pedro Jorge como herói nacional teve início com o Projeto de Lei (PL) nº 03663/2023, de autoria de Teresa Leitão, aprovado no Senado Federal e na Câmara dos Deputados. Na última terça-feira, o PL foi sancionado e transformado na Lei Ordinária 15446/2026.

HISTÓRIA DE VIDA

O procurador da República Pedro Jorge de Melo e Silva entrou no MPF em 1975, com lotação em Pernambuco. Ele foi responsável pelo caso conhecido como “Escândalo da Mandioca”, um esquema que operou entre 1979 e 1981 e desviava recursos públicos do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), destinado ao financiamento do plantio de mandioca.

Após a investigação, 19 pessoas foram denunciadas pelo procurador, incluindo um deputado estadual, um vereador e oficiais da Polícia Militar. Pedro Jorge recebia ameaças constantes e foi assassinado a tiros três meses depois do recebimento da denúncia pela Justiça, em 1982, deixando viúva e duas filhas.

HERÓIS DA PÁTRIA

O Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria fica depositado no memorial Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Destina-se a registrar o nome de brasileiros e brasileiras que tenham oferecido a vida para a defesa e a construção do Brasil. A inscrição de nomes no Livro está regulada pela Lei 11.597/07. Da redacão do blog, com informações da Secom/PGR.

Foto: Leobark Rodrigues

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