MONTANHAS DA JAQUEIRA – Breaking news: “Eu já cantei em Recife/ dentro do Pronto Socorro/ ganhei 200 mil réis/ comprei 200 cachorros/ ano passado eu morri, mas este ano eu não morro”, versejou Zé Limeira, o poeta do absurdo, heterônimo genial do paraibano Orlando Tejo.
Depois de naufragar na solidão das urnas dia 30 de outubro e sumir no oco do mundo antes do Réveillon, o capitão prometeu repetir este ano a proeza de Zé Limeira e ressuscitar feito o bendito Lázaro. Vejamos.
A bordo de um cavalo árabe banhado em joias doado pelos Emirados, cavalguei até a Serra da Borborema na Parahyba do Norte para conversar com meu compadre o poeta Zé Limeira. Taí o guru do vale do Rio do Peixe, o menestrel Zé Nêumanne Pinto, que não me deixa mentir.
Dizei-me, Limeira, de José para José, o capitão continua vivo? Ele poderá ressuscitar este ano? Ele morreu feito peixe, porque falava demais pela boca e até pelos cotovelos. Morreu e não sabe, ou não foi avisado.
Continua apenas exercitando as funções respiratórias e de mobilidade. As tripas gaiteiras também continuam funcionando a todo vapor. A seita do gado está se desmilinguindo. Falar asneiras não é privilégio do capitão. O bode rouco todo dia produz uma intelijumência. Mas, é trato com indulgência por ser da esquerda.
Compadre Zé Limeira, conta pra gente como foi o caso do “velho Tomé de Souza, governador da Bahia/ casou-se e no mesmo dia” fez com a esposa o que o bode rouco gostaria de fazer com Sérgio Moro, no mau sentido, frente e verso, “depois na beira do cais/ onde o navio trefega” pegou o padre Nobréga, “e os tempos não voltam mais”.
O padre Nobréga ficou chateado porque disse que não tinha nada a ver com a briga do bode rouco e Sérgio Moro. E por falar em Moro, “Jesus Cristo veio ao mundo/ foi só pra fazer justiça/ com 13 anos de idade discutiu com a doutoriça/ 30 anos depois rezou a primeira Missa”.
Mês de março, Dia de São José, teve alvoroço no céu. Transcorre o equinócio, quando os raios de sol incidem diretamente na linha do Equador, espalhando claridade e escuridão no planeta. Zé Limeira foi fazer uma cantoria no Sertão das Espinharas. O canto da Pavoa Devoradora anunciava o fim do mundo. Choveu pesado, os trovões ribombavam no firmament.
Relâmpagos riscavam os céus. Acauã cantou. A cruviana assoviou. Os matutos rogavam: please, Zé Limeira, livrai-nos do mau agouro. O poeta invocou a proteção do Padim Ciço e soltou um rosário de penitências: “Os hemisférios do prado/ as palaganas do mundo/ Deus primeiro sem segundo”. A ira da natureza serenou.
Mil vezes mentira é dizer que o poeta Zé Limeira e o sábio Orlando Tejo morreram no Bairro de Bodocongó em Campina Grande. Elvis vive! Michael Jackson do Pandeiro vive! Zé Limeira e Orlando Tejo estão vivos, na Serra da Borborema et Orbi. Viva Orlando Tejo! Viva Zé Limeira!
Por José Adalbertovsky Ribeiro – Periodista e escritor




