MORRE NO RECIFE, O ESCRITOR E JORNALISTA RAIMUNDO CARRERO

Escritor pernambucano Raimundo Carrero morreu aos 78 anos, na madrugada desta terça-feira(16), no Recife. Autor de livros como: “As Sóbrias Ruínas da Alma”, que conquistou o Prêmio Jabuti em 2000. De acordo com a família, Carrero estava internado há uma semana, para tratar um câncer, no Hospital Esperança, na Ilha do Leite, no Centro da capital pernambucana.

Ainda, segundo a familia, ele havia procurado à unidade de saúde após sentir dores e na ocasião descobriu que estava com um câncer em estágio avançado próximo do pulmão. O velório acontece na Academia Pernambucana de Letras, localizada no Bairro das Graças, Zona Norte do Recife. O horário do funeral não havia sido divulgado até a última atualização desta matéria.

Familiares também lembraram que, há 16 anos, o escritor teve um acidente vascular cerebral (AVC) e, desde então, passou a apresentar várias comorbidades. No comunicado da morte, os parentes de Raimundo Carrero expressaram agradecimento pelas manifestações, “nesse momento de carinho solidariedade e respeito recebidas de amigos, leitores, admiradores e de todos que tiveram suas vidas tocadas por sua trajetória”.

“Ao longo de sua vida, Raimundo dedicou-se à literatura com paixão, sensibilidade e compromisso, construindo uma obra que marcou gerações de leitores e contribuiu de forma significativa para a cultura pernambucana e brasileira”, afirmou a família do escritor, em nota. O governo de Pernambuco decretou luto oficial de três dias “em sua memória e em reconhecimento a sua trajetória”.

VIDA E OBRAS DE RAIMUNDO CARRERO

Nascido em 20 de dezembro de 1947 na cidade de Salgueiro, no Sertão de Pernambuco, Raimundo Carrero começou a escrever ainda na adolescência e também trabalhou como jornalista, construindo sua carreira no Recife. Ele foi professor de criação literária, ensinando vários alunos a desenvolver a habilidade da escrita através de técnicas para aprimorar o texto.

Entre as características mais evidentes da sua escrita literária, estão a inclusão da surpresa no texto e a sedução do leitor; o diálogo com textos clássicos da literatura e a presença de temas religiosos e bíblicos na construção da ficção. Raimundo escreveu mais de 20 livros. Entre suas obras publicadas, estão:

  • “Somos pedras que se consomem” (Grande Prêmio da Crítica – APCA de 1996 e Prêmio Machado de Assis da Biblioteca Nacional de 1996); 
  • “As sóbrias ruínas da alma” (Prêmio Jabuti, 2000); 
  • “Sombra severa” (2001); 
  • “Ao redor do escorpião… uma tarântula?” (2003); 
  • “O delicado abismo da loucura” (2005); 
  • “O amor não tem bons sentimentos” (2007); 
  • “A preparação do escritor” (2009); 
  • “Romance do bordado e da pantera negra” (2014);
  • “Colégio de freiras” (2020);
  • “Estão matando os meninos” (2020);
  • “A luta verbal: a preparação do escritor” (2022).

 Foto: Alexandre Godim

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